Vértebra | Midgard

Vértebra

por Simone Teodoro

O amor se refazia
na fratura

Palimpsesto
só existe
para ocupar
rasura

(- Por que você ainda está vestida?)

e me mordia
tão voraz
os contornos

O vento alinhavando
o meu pesar ao dela

Mas não era
ainda
o fim

Obrigada pelos peixes
que plantou em mim

****

 

Midgard

por Simone Teodoro

O vermelho sodomiza
o azul
no céu retalhado por ângulos retos
de prédios
& monotonia

Deuses marcham para Valhalla
do meu coração obsceno

arcanjo desfolhando lábios
por detrás das ramagens

Arremessar bolinhas de papel
contra o lustre

palavras amarrotadas
deslocando a claridade inventada

movimento de pêndulo
hostilizando conexões elétricas

Desfaça-se a luz

my dear,
o verbo também
inaugura o breu

No entanto
flechas de neon
vão e vêm
nas rotas incertas
das minhas pupilas abertas

como um útero ardendo

Não ficar em casa nesta noite
chocando o ovo
da Solidão Pós-Moderna:

nas praças
fazedores de sonhos
dissolvem serpentes nos
olhos humanos

A tristeza dobrada no bolso
esquerdo de meu casaco xadrez

pesada
como um império enterrado

De Midgard
rajadas de vento &
gelo

Árvores se agitam

Tapeçaria de flores
ordinárias nos cabelos.