Não à resistência


The birth of Venus, 1879 – William Adolphe Bouguereau

 

por Jussara Resende

Não
Hoje eu não vou resistir
Vou me entregar
Revelar meus desejos
Que me chamem de puta
cadela
Prefiro isso a ser donzela
Mulher honesta
A fingir que não o quero
A esconder em falsa máscara
Todo tesão que me invade
E que me consome a carne
Em brasa fervente
Quando penso na gente
Trocando versos, olhares
com a voz calada à força
vencida pelos gemidos
que brotam das bocas ocupadas
Quero sussurros ao pé do ouvido
em dizeres eróticos
Quero molhar
com meu gozo
sua língua
para que desenhe
no meu corpo
rimas