Encruzilhada

por Gilvan Irineu

Comecei com um beijo em sua mão, deixando um pouquinho de minha saliva ébria em seu pulso com cheiro de Rosa priprioca. Aquele maldito cheiro de erva me deixava de pau duro por uma semana. Analisei cada centímetro de seus 1,50 metros: era uma mulher com curvas safadas e desejos estranhos. Ela pediu ao garçom uma água tônica com duas rodelas de limão e sem gelo.

Vi que havia retocado o batom vermelho e impulsionado o decote em sua ida ao “toilet”… Toilet, toilet… TOILET… Eu achava graça das expressões estrangeiras para amenizar o ato natural de excretar. Ela pagou a conta, pois eu tinha gastado meu último dinheiro em gasolina e cigarros. Estacionei num lugar arborizado com pássaros cantando e outras escrotices da natureza prostituída dos homens. Resolvi pecar por excesso e toquei em seu joelho esquerdo: pele hidratada e quente. Não aguentei e a beijei sofregamente, como um bezerro mamando numa vaca na fila do abate.

Minha mão subiu seu vestido de tecido mole, enquanto dois dedos procuraram um caminho por sua calcinha maleável. Quente e escorregadia situação que me envolvia. Que textura sensacional aquela pequena protuberância duramente macia e encharcada. Coloquei meu pau pra fora e ela olhou com o cabelo desarrumado e o batom inexistente.

“Engula-me em desalinho
entorpecida de carinho
Encabeçada nesta língua…”

Pensei num poema antigo ao direcioná-la firme e ternamente pela franja e pela nuca. O banco do carro fazia uma valsa esquizofrênica no ritmo de nossas metidas. Gozamos juntos, enquanto um dos telefones tocava um barulho de música americana.

Lhe pedi 20,00 emprestado e peguei seu isqueiro amarelo mostarda, enquanto ela ia embora com cheiro de sexo e erva cheirosa. Foi a última vez que nos vimos. Ela andava rebolativa ao ajeitar o cabelo.

Eu acendi dois cigarros: um ficou na encruzilhada e o outro eu traguei como se fosse o último. Coloquei Cartola no som:

“Ainda é cedo, amor…”