Em reforma


Standing nude with a cat, 1865 – Suzanne Valadon

 

por Karin Krogh

Deixo meus pés à porta
atentos ao sono perverso
da velhice
-só toca o solo
aquele que cospe na vida-

nos braços amorfos
escorrem coágulos de
tinta louro escuro acinzentado,
prendo tudo com os dentes.

Os pés continuam à porta
esperam minha vulva
se tornar palatável
maquiada
cor-seca

na falta de fome
das minhas bocas
os lábios
pequenos-grandes-médios
desidratam.

Meus pés ainda à porta
os rins reclamam
não querem ser filtros;
se habituaram à sujeira.
A uretra se sente vazia

entre as flácidas pálpebras
avisto cataratas
o resto tem cheiro de rugas
e barulho dos meus pés
ao romper da porta