Amor, pobre amor e outros


Part of De Figuris Veneris: A Manual of Classical Erotica, 1906 – Édouard-Henri Avril

 

por Nina Rizzi

amor, pobre amor

o que eu vou fazer
quando não restar sequer
as paredes de te me esfregar?

 

amor, rico amor

ele me goza só olhar e descansa. e ri:
essa preta não tem etiqueta.

 

festa da chuva, carne e sangre, 1969

do meu criador quero seu nome
– ó nome de deus, seu nome é deus

o fruto do meu ventre, seu sêmen

– vem, leumas, que gr_ávida está
a terra por umidade

 

antipoema

pra porra co’ lirismo!
poesia concreta
é teu pau ereto por entre
minhas gretas e becos

 

ensaio pra automutilação
um maço de fios me escorre dos dedos
quando os passo nos cabelos

fecho os olhos, as pernas

em consciência do corpo tudo dói
flashes da noite passada, carne moída
gelo nas extremidades, fogo nos entremeios

ouvi:
– você é minha
e não desdisse, um grampo me varou as narinas

matéria suspensa, arremessada
me entrego sem menisquência, como pudesse ser

quando meu corpo cala, falo & aconteço.